bem-estar animal

O bem-estar das pessoas e dos animais são necessidades que se influenciam de forma mútua, principalmente quando se leva em consideração que o fornecimento contínuo e seguro de alimento às pessoas dependem das formas de tratamento e nutrição a que os animais são submetidos. Um claro exemplo dessa relação está no fato de muitas doenças humanas estarem relacionadas com a dos animais, sendo um tratamento adequado a estes uma maneira de se prevenir doenças e manter a saúde pública.

Para além das questões de saúde, o tipo de tratamento oferecido aos animais pode afetar em sua produtividade e qualidade do alimento produzido. Existem também questões culturais que envolvem o tratamento dos animais, dado que para muitas pessoas eles são fonte de trabalho, transporte e segurança.

Ao longo dos anos, o desenvolvimento maciço da utilização de animais para a produção de alimentos em larga escala nos sistemas industriais tem trazido maior importância as questões de tratamento e cuidado com o bem-estar do animal, principalmente no que objetiva um aumento de sua produtividade, uma vez que as demandas de produtos de origem animal aumentam progressivamente. Por outro lado, além das questões de indústria e comércio, surgem também uma série de questionamentos éticos sobre o tratamento e a qualidade de vida do animal dentro desse contexto de imensa produtividade.

Atualmente, pesquisas ligadas ao bem-estar do animal estão ganhando cada vez mais importância e reconhecimento internacional e muitas das organizações que não levam essas necessidades em conta perdem oportunidades de desenvolvimento e melhoria da vida das pessoas que consomem produtos derivados desses animais.

Projeto Welfare Quality

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Dada essa importância, recentemente, um projeto europeu que reúne cientistas da Europa e América Latina denominado Welfare Quality, desenvolveu uma ferramenta de avaliação do bem-estar de bovinos, suínos e aves, demonstrando a necessidade e importância de se discutir tais questões e elaborar estratégias para resolver ou atenuar problemas ligados ao bem-estar dos animais dentro do contexto produtivo global. Esse projeto é baseado em 12 critérios de bem-estar animal fornecendo, com base neles, orientações valiosas sobre estratégias de melhoria dessa condição.

Esses 12 critérios foram desenvolvidos dentro de três categorias distintas, que são:

  • Critérios baseados nos animais: avaliam o animal em si. Nesses critérios são identificados fatores relativos à presença de lesões, incidência de doenças, escore da condição corporal e resistência física, desempenho dos animais em certas atividades, taxa de mortalidade, índice de sobrevivência à doenças, dentre outros. Esses critérios, porém, fornecem apenas uma base generalizada, levando em consideração que cada animal pode reagir de forma distinta em situações e locais diferentes.
  • Critérios baseados em recursos: avaliam condições de alojamento, alimentação, limpeza e outros recursos que são destinados aos locais. São critérios fáceis de se identificar, uma vez que são focados em questões materiais, porém, por si, não são capazes de definir o bem-estar geral dos animais, uma vez que eles podem, por exemplo, reagir com estresse ou medo, mesmo em locais adequados ao seu alojamento.
  • Critérios baseados na gestão: Nesse grupo, são focados fatores relativos ao cuidado humano como fator de bem-estar animal. Incluem competência e qualificação dos profissionais no manejo com os animais, práticas de alimentação, higiene, manutenção dos registros. Ao contrário dos anteriores, esses são indicadores indiretos do bem-estar, pois mesmo sendo de grande influência para a saúde dos animais, eles dizem respeito ao ser humano.

As estratégias de melhoria do bem-estar do animal e consequente aumento em sua produtividade, dependem de estratégias que devem ser adotadas nos sistemas agropecuários, e que consideram, portanto, toda a relação entre esses fatores, fornecendo uma perspectiva geral para uma análise do comportamento individual do animal em cada contexto.

Atualmente já há possibilidade de uso de tecnologias, de uso simples e fácil, que podem permitir ações mais precisas no processo. O uso dos recursos devem ser aplicados nos pontos que realmente necessitam de melhorias. Sobre todo este contexto, é possível concluir que entre as ações necessárias para alcançar os níveis desejados de excelência estão, como primeiros passos, o entendimento e reconhecimento dos pontos debilitados do processo: medir, monitorar, administrar indicadores e atuar sobre eles são pontos chaves para o aumento de qualidade e produtividade.

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